ALMANAQUE DO ROBERTO



Página de recados de Roberto Carlos


1 - Colégio Nereu Ramos, em Itajaí SC.
03 de Janeiro de 2021
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ITAJAÍ SC  -  De São Joaquim - SC,  fui morar e trabalhar e estudar  em Itajaí. Fui tentar a sorte vendendo sorvetes e picolés para a sorveteria Stringari. Vendia muito bem puxando dois carrinhos cheios nas areias e praias de Itajaí, Navegantes e na frente do Colégio Nereu Ramos. Eu vendia sorvetes e picolés brincando. No ano novo eu até dizia olhe o picolé e o sorvete do ano passado. E assim mesmo eu vendia tudo.  Comprei até uma máquina de lavar roupas. E um grande  freezer para estocar os sorvetes e picolés. A transferência da minha matrícula escolar chegou pelos correios no Colégio Nereu Ramos. Quando eu vendia só sorvetes e picolés na frente desse colégio, era permitido trabalhar e estudar. No inverno e no verão. Na frente desse colégio, um policial militar "lageano" com cara de cachorro do mato foi transferido de São Joaquim para Itajaí. Esse PM aparecia todos os dias de "farda" na entrada da escola. Eu conversava e sorria ingenuamente para ele. Eu estava crescendo, ganhando muito dinheiro e esse PM aparecia todos os dias. Depois que comprei um carrinho de pipocas, comecei a vender mais que a cantina do Colégio Nereu Ramos : água mineral, refrigerantes, pastel, coxinha e salgadinhos da Elma Chips.  Vendendo mais que a cantina do meu Colégio, os problemas e as perseguições começaram. Assim que os problemas começaram, esse  PM lageano desapareceu, evaporou, sumiu, se escafedeu... Eu vendia de manhã e a tarde. A noite eu estudava nesse colégio. Começaram a exigir uniforme, meia, tênis, camiseta. Eu providenciava o que eles exigiam,  mas apareciam outros problemas que nem chiclete. Chamaram até a polícia para procurar drogas no meu carrinho de pipocas. A prefeitura apreendeu o meu carrinho de pipocas com alvará em dia. A prefeitura e o colégio alegavam que o meu alvará era para ambulante. E que ambulante tinha que circular, e não ficar parado na frente do colégio (Eu aproveitava o tempo sem clientes, para treinar matemática). Os policiais da PM que faziam a escolta do caminhão da secretaria de obras municipal, começaram a me chamar de LOUCO. Os PMs riam, zombavam e diziam : "Ele não reage e nem avança nos fiscais. Fica só rindo. Deve ser louco, retardado e maluco." Um órgão dentro da prefeitura de Itajaí, me mostrou várias fotos do meu carrinho na frente do colégio. A direção do colégio e o professor da cantina   diziam que eu não tinha família para sustentar. Que eu não tinha filhos (as) para criar. Que eu não tinha prestação de carro para pagar. Que eu fingia que estudava só para ganhar dinheiro na frente da escola. Que não era mais para aparecer na escola nem para estudar e nem vender mais nada. Eu disse para a direção que voltaria a vender só picolés e sorvetes, mas não aceitaram. Eu nunca vendia fiado para nenhum aluno, pais ou professor (a). Com medo, assustado e amedrontado, comecei a vender fiado. Vendendo fiado, fiquei sem dinheiro para comprar mais mercadorias para vender, comprar material e uniforme escolar e pagar o boleto da mensalidade desse colégio estadual. Não voltei mais para vender, estudar e nem se incomodar mais com as perseguições. E doei o meu freezer novo para a APAE de Itajaí. OBS : se eu continuasse fingindo estudar, eu podia estar bem  formado e casado há muito tempo.

 

 

LAGEANÊS - para os lageanos eu sou culpado de tudo. Eu falo mal de todo mundo. Nunca ganhei dinheiro trabalhando. Os lageanos acreditam que realmente eu fingia estudar só para ganhar dinheiro (EU SOU PROIBIDO DE GANHAR DINHEIRO). Os lageanos me culpam das coisas ruins que me aconteceram. Para os lageanos, eu também sou culpado das coisas ruins que as pessoas me fizeram. Para os lageanos, eu fingia vender picolé nas praias, só para ficar olhando as mulheres de biquíni. Para os lageanos eu era o pior vendedor da Stringari. 




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