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Proliferação de micos é sinal de desequilíbrio ambiental
20 de Setembro de 2016
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Batalha silenciosa nas copas das árvores das cidades levam pássaros a migrarem para dentro das casas na tentativa de proteger seus ninhos.


Há algum tempo, apartamentos da cidade vêm ganhando novos moradores: pássaros (geralmente rolinhas, mas há relatos até de pica-paus) que fazem seus ninhos em vasos de plantas na sala de estar, em cima de xaxins da varanda, em prateleiras da área de serviço e até em cima de chuveiros. Uma das possíveis causas do fenômeno, de acordo com ornitólogos, são os micos.


Criaturas inegavelmente carismáticas, as espécies Callithrix jacchus e Callithrix penicillata — aqueles miquinhos de ar simpático, penugem branca no rosto e destreza impecável — são responsáveis por um desequilíbrio ambiental na fauna do Rio e, hoje, não são lá mais tão benquistos na cidade. Provenientes da Bahia, os símios pequeninos foram trazidos para a região Sudeste em meados da década de 1980 e daqui nunca mais saíram. Como aquela visita que se instala no sofá da sala e dali não levanta mais, o mico-estrela, como também é chamado, adaptou-se muito bem ao ambiente urbano carioca.


Com índices de reprodução de dar inveja aos coelhos e predadores em número muito inferior à sua população — como gaviões e serpentes —, os micos se alimentam de quase tudo, sem restrições: de restos de lixo a banana, passando por biscoitos industrializados e, para o sofrimento das aves, ovos de passarinhos.


— Esse é um fenômeno que vem acontecendo há algum tempo. Eles (os micos) atacam os ninhos e colocam muitas espécies de aves em ameaça. Elas ficam sufocadas — diz a ornitóloga Mariana Janiszewski. — Os ninhos dentro dos apartamentos podem estar ligado a dois fatores: a predação dos micos e a adaptação das aves à crescente urbanização. Mas ainda não há estudo que comprove isso. E os micos são muito espertos. Já as rolinhas, são bichos relativamente bobos...


A superpopulação dos saguis é tão prejudicial ao ecossistema da cidade que um projeto recente está sendo realizado pela área de Conservação de Fauna do Jardim Botânico: a castração de micos.


Morador da Ilha, o artista plástico Bruno Miguel tem, há seis meses, três ninhos de rolinhas em sua casa, dois no xaxim da varanda e um numa prateleira da área de serviço.


— De um ano para cá, percebi micos passando, o que não tinha. Além disso, teve uma poda de cerca de 10 árvores na minha rua. Tudo parece ligado.
Segundo o gerente de fauna do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Adilson Gil, é difícil avaliar se o surgimento dos ninhos está relacionado a uma redução de área vegetativa:


— Para cada empreendimento, há uma compensação cinco a seis vezes maior do que o que foi desmatado. O GLOBO : www.oglobo.com.br



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